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ARTIGO - CRACK: O PODER DA DESTRUIÇÃO






Dependência tira sonhos de jovens e está intensamente relacionada ao grande número de homicídios, segundo delegado.

Duas pedras de crack e a vida nunca mais será a mesma. É assim que a polícia se refere ao poder devastador da droga, responsável pela destruição de sonhos, de famílias e de jovens de todas as classes sociais na Paraíba. É essa realidade, assustadora e preocupante, que encerra a série de reportagens 'Quem escolhe o crime perde tudo', produzida pelo JORNAL DA PARAÍBA e pelos demais veículos da Rede Paraíba de Comunicação.

“O crack é o grande mal do século”, respondeu Wagner Dorta, superintendente da 1ª Região Integrada de Segurança Pública (Reisp), ao ser questionado sobre a droga. Com a experiência de quem lida diariamente com o problema, Dorta disse que é a partir do consumo do crack que muitos jovens são assassinados na Paraíba, sobretudo na Região Metropolitana de João Pessoa. “Há uma relação intensa entre o tráfico de drogas e o homicídio”, declarou. Nos locais de crime, é comum ouvir a expressão 'acerto de contas', em referência ao possível envolvimento da vítima com drogas.

É importante frisar que o número de homicídios na Paraíba deu um salto significativo no período de dez anos: de 608 em 2002 para 1.528 em 2012. Em geral, as vítimas são homens jovens e pobres, que de uma forma ou de outra tinham ligação com as drogas, seja ocupando uma atividade na cadeia comercial do tráfico, ou como usuário que fica devendo na 'boca de fumo' e acaba pagando com a vida. A pedra que destrói e mata custa, em média, entre R$ 10,00 e R$ 15,00.

O vício é quase instantâneo, segundo afirmou Dorta. Como foi afirmado no início desta reportagem, duas pedras de crack são suficientes para que a pessoa perca a liberdade de viver longe das drogas. “A partir do momento que alguém começa a usar o crack, rapidamente fica viciado”, afirmou. As crises de abstinência podem tornar a pessoa violenta e nesse momento ela é capaz de cometer um crime até contra as pessoas que diz amar. O usuário precisa de dinheiro para manter o vício, por isso, a droga também está relacionada aos crimes de furto e roubo.

A polícia tem um mapeamento das 'bocas de fumo' da cidade, mas o foco é prender os grandes traficantes ou gerentes, responsáveis pelo carregamento e distribuição da droga. O problema é que, sempre que a polícia prende um grupo que traficava drogas, outros criminosos assumem a 'boca', e o círculo recomeça, conforme explicou Dorta. Muitas determinações sobre o funcionamento das 'bocas' são dadas de dentro das penitenciárias.

Outra realidade que chama a atenção é a participação de mulheres no tráfico de drogas. A maioria assume a venda da droga quando o companheiro é preso. Acontece que um tempo depois ela também acaba presa, o que causa um impacto social muito forte. “O marido preso, a mulher presa e os filhos na rua, sem perspectivas, acabam adentrando no crime também”, ressaltou o delegado. O tráfico de drogas é a principal causa de prisões na Paraíba, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).



DROGAS TÊM CONTEXTO SOCIAL
O problema das drogas tem todo um contexto social. Quando a polícia precisa agir para combater as 'bocas de fumo' é porque a ausência do Estado já fez vítimas de exclusão, segundo destacou o delegado Allan Murilo Terruel, que há três anos está à frente da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), em João Pessoa. Segundo ele, “é a falta de emprego e a ausência do Estado nas comunidades carentes, que faz com que o cidadão busque alguma alternativa para ganhar dinheiro”.

É diante dessa fragilidade, e da necessidade de colocar o pão e o leite na mesa, que muitos cidadãos são seduzidos facilmente pelas propostas do dinheiro fácil oferecido pelo tráfico de drogas. “Existe toda uma economia em cima disso, de sobrevivência mesmo”, afirmou Terruel, que conta com uma equipe de 25 pessoas na DRE. Na delegacia, a polícia trabalha dia e noite com o objetivo de destruir os planos dos criminosos que insistem em transgredir a lei e distribuir a droga nas 'bocas de fumo' da Região Metropolitana de João Pessoa. Para isso, Terruel conta com o apoio da delegada-adjunta Júlia Valeska Magalhães, escrivães e agentes de investigação.

O problema da violência nas localidades onde há 'boca de fumo' pode ser explicado pela disputa entre os traficantes que querem o maior lucro, e pela presença do usuário, que está devendo, mas volta para pedir droga, começa a incomodar e a chamar a polícia. Nesse instante, segundo Terruel, os traficantes decidem que é hora do usuário levar um tiro. “O problema está diretamente ligado à falta de políticas públicas do Estado para acabar com o problema social. Não tem como discutir o combate à boca de fumo sem a presença do Estado”, ressaltou.

A violência que assola as comunidades onde há 'bocas de fumo' não existe entre os traficantes atacadistas, que vivem em uma realidade bem diferente. Podem ser empresários, políticos, pessoas fora de qualquer suspeita, que levam uma vida confortável e livre de qualquer suspeita. “A sociedade nem imagina quem são essas pessoas e nós não podemos revelar para não fazer vinculação”, declarou Terruel. “Não há, portanto, violência no ritmo atacadista, mas a droga vai chegar à boca de fumo e fomentar a criminalidade”, pontuou.

Por conta desse entendimento, a DRE busca combater as 'bocas', mas principalmente a droga por atacado. “Percebemos que o trabalho seria mais eficiente dessa forma, porque combater apenas a boca de fumo é o mesmo que enxugar gelo”, explicou Terruel. (Veja quantitativo de apreensão de drogas pela delegacia este ano no quadro ao lado).

Segundo o delegado, o que provoca a violência é o ritmo da venda de drogas, principalmente nas áreas periféricas, e não simplesmente o consumo. “Se há alteração do estado de consciência porque conta do uso da droga, que pode ser o álcool, a maconha, o crack, você pode agredir sua mãe, bater o carro, coisas desse tipo. Agora, a violência que inclui homicídios, roubos está ligada à venda de drogas e a ausência do Estado”, afirmou.

As atividades comerciais do tráfico de drogas são: a guarda, o preparo, a venda e a segurança do ponto de venda. Esses cargos podem ser exercidos pela mesma pessoa, mas geralmente as tarefas são divididas, conforme a atividade ilícita vai se estruturando. Terruel destacou a dependência que existe nas localidades onde há 'bocas de fumo'. “O traficante geralmente é filho de alguém da comunidade. As pessoas que moram ali não concordam com a atividade, mas conhecem os traficantes desde crianças, acaba sendo uma relação de dependência”, contou. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo número 197.

A ação de combate às drogas e prevenção à criminalidade deve envolver trabalhos integrados entre Estado, municípios e União, segundo a secretária estadual de Desenvolvimento Humano, Aparecida Ramos. Ela lembrou que o governo do Estado possui um plano de enfrentamento ao crack, cujas ações integram várias secretarias que oferecem desde atividades culturais, profissionalizantes e também reinserção social. “A luta contra as drogas é um processo complexo e muito caro. Precisamos do poder público, mas também da colaboração da sociedade. Demos passos importantes, mas ainda temos muito a caminhar”, frisou.

Fonte:http://www.jornaldaparaiba.com.br/noticia/134965_crack--o-poder-da-destruicao
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